Tratamento Medicamentoso:

Pílulas anticoncepcionais de baixa dosagem, progestágenos e antiinflamatórios não hormonais são a primeira linha no tratamento dos sintomas causados por miomas uterinos. Os DIUs (Dispositivo Intra-Uterino) medicados com progestágeno são indicados em mulheres que não estão desejando gravidez porém é contra-indicado nos miomas volumosos ou quando localizados na cavidade uterina (submucosos).

Entre as novas medicações em uso, os Análogos do GnRH, até o momento, constituem a opção de eleição no preparo da paciente para o tratamento cirúrgico que visa conservar o útero retirando apenas os nódulos de mioma. Essa técnica está indicada em mulheres na fase reprodutiva com desejo de gravidez ou que por motivos pessoais não desejam perder o útero.

O Análogo do GnRH, entre outras vantagens causa ausência transitória de menstruação facilitando o tratamento de quadro anêmico quando presente, diminui o volume do conjunto útero-miomas propiciando cicatriz operatória mais estética. Ainda durante a cirurgia diminui o sangramento minimizando a possibilidade de transfusão sanguínea. Nos dias atuais, essa medicação é dispensada pela Secretária da Saúde de forma gratuita em todos estados brasileiros mediante solicitação médica e comprovação da doença através da cópia de exames de imagem e laboratoriais.

Técnicas Cirúrgicas:

Miomectomia

A miomectomia abdominal convencional , ou seja, a conservação do útero com retirada apenas dos nódulos de miomas, pode ser aplicada para miomas de todos os tamanhos e localização, inclusive para aqueles inacessíveis por técnicas endoscópicas. Os resultados dos diversos trabalhos mundiais publicados demonstram melhoria no índice de gravidez em torno de 40% após o ato operatório. Atualmente, na dúvida da localização do mioma por exame de imagem, a indicação da minilaparotomia (cicatriz abdominal pequena) tem propiciado tratamento seguro e eficaz em detrimento de repetidas abordagens parciais por via endoscópica.

Os tratamentos endoscópicos conservadores como: histeroscopia e laparoscopia permitem menor tempo de

Histereoscopia

internação hospitalar e recuperação das atividades cotidianas a curto prazo, quando bem indicados.

A histeroscopia cirúrgica é a melhor técnica para o tratamento de miomas submucosos

Mioma Submucoso

. Consta da introdução de uma câmara de vídeo por via vaginal (conforme figura abaixo) em centro cirúrgico sobre anestesia, para visualização da cavidade uterina e retirada dos nódulos de mioma submucosos. No entanto, essa técnica é limitada nos casos de mioma que adentram a parede do útero (intramurais), tendo a necessidade de uso prévio do Análogo do GnRH para redução do nódulo e facilitação da sua retirada. Em casos de miomas mais volumosos, pode ser necessário duas ou mais intervenções histeroscópicas para retirada completa do nódulo.

Laparoscopia

A laparoscopia cirúrgica é a via mais indicada para ressecção de miomas subserosos. Essa técnica, após anestesia geral consiste na introdução de câmera de vídeo por incisão de aproximadamente 1 cm peri-umbilical e outras duas nas regiões inguinais. O limite dessa via de acesso está atrelado ao número, tamanho e localização dos miomas a depender da experiência do cirurgião.

A embolização das artérias uterinas constitui tratamento multidiciplinar do leiomioma uterino.

Laparoscopia

Surgiu recentemente em nosso meio como outra opção de tratamento conservador minimamente invasivo, realizada pelo radiologista intervencionista, cujos resultados tem sido animadores. Essa técnica nós temos reservado para pacientes que não tem desejo em perder o útero embora já tenham prole determinada. Eventualmente, mulheres desejosas de gravidez, podem se beneficiar da embolização quando outras técnicas já citadas estiverem contra-indicadas. De forma simplista esse tratamento é realizado em ambiente de radiologia sob sedação, raqui ou anestesia peridural.


Embolização

É introduzido um cateter na artéria femoral (região inguinal) guiado por radioscopia até a artéria que nutre o útero.
Nesse momento, pequenas partículas são injetadas dentro do vaso causando a obstrução do mesmo e interrupção do fluxo sanguineo para o mioma.

Ao longo do tempo os nódulos de mioma tendem a diminuir (aproximadamente 40 a 60% em 1 ano) com melhora dos sintomas.

A histerectomia constitui o tratamento definitivo sendo, até então, realizada por via abdominal na maioria dos casos, independente da localização e volume do mioma. Atualmente, pelo desenvolvimento de materiais e técnicas cirúrgicas, além do treinamento dos cirúrgiões, uma parcela das histerectomias que eram realizadas por via alta está sendo indicada por via vaginal ou laparoscópica.

No futuro, provavelmente teremos novas medicações já em estudo como: antagonistas de GnRH, inibidores de aromatase, antiprogestágenos, DIU medicado, novas progesteronas e técnicas como criomiólise, ligadura endoscópica de artérias uterinas, alcoolização e ablação por radiofreqüência. Essas alternativas podem abrir novas perspectivas para o tratamento do leiomioma uterino.